Avaliação de processos naturais de salinização de águas subterrâneas na porção leste da bacia do rio Cachoeira, Bahia

  • Elias Hideo Teramoto
  • Hung Kiang Chang
Palavras-chave: Salinização; Interação rocha-água; Dissolução de silicatos; Modelagem geoquímica.

Resumo

Parcela significativa do nordeste brasileiro se notabiliza pela escassez hídrica, que é responsável por implicações socioeconômicas locais negativas. Além do déficit hídrico, esta região é afetada pela salinização de águas subterrâneas, que contribui para a perda de potabilidade da água. Na bacia do rio Cachoeira, Estado da Bahia, situada no limite do semiárido nordestino, as águas subterrâneas possuem concentração de sais dissolvidos naturalmente elevados em razão das altas taxas de evapotranspiração e interação rocha-água. Para a avaliação quantitativa desses processos nas concentrações de sais totais dissolvidos, foram empregadas técnicas estatísticas e simulações geoquímicas. Na análise das Componentes Principais verificou-se que os Componentes Principais 1 (CP1) e 2 (CP2) respondem, respectivamente, por 82,89 e 13,68% da variância das amostras analisadas. Enquanto o CP1 é majoritariamente atribuído a variações na concentração do íon HCO3 - , o CP2 é atribuído a variações na concentração do íon Cl- . Verificou-se três diferentes tendências, que descrevem variações distintas do CP2 em função daquelas observadas para CP1, refletindo diferentes proporções na importância da evapotranspiração e interação rocha-água na salinidade. As simulações geoquímicas foram capazes de reproduzir as concentrações das amostras mais salinas, a partir da evaporação e de reações rocha-água. A maior parte das amostras de água subterrânea agrupam-se ao longo da Tendência 3, cujo incremento de sólidos totais dissolvidos é majoritariamente explicado pela interação rocha-água. Em oposição, as amostras de água das Tendências 1 e 2, menos frequentes, possuem sólidos totais dissolvidos majoritariamente provenientes da evaporação da água.

Publicado
01-10-2020
Seção
Artigos