Produtos metamórficos de sistemas high-sulfidation oceânicos mesoproterozoicos, grupo Serra do Itaberaba, SP

  • Annabel Pérez-Aguilar Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Instituto Geológico
  • Izabella Vicentin Moreira Universidade Federal de São Paulo
  • Jacqueline Silva Silles Faculdade de Tecnologia de São Paulo
  • Caetano Juliani Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo
  • Flávio Machado de Souza Carvalho Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Grupo Serra do Itaberaba, Topázio, Coríndon, Margarita, Alteração argílica avançada, Silicificação.

Resumo

O Grupo Serra do Itaberaba, no segmento central da Faixa de Dobramentos Ribeira (sudeste do Brasil), corresponde a uma sucessão meta-vulcanossedimentar do Mesoproterozoico. As rochas deste grupo foram afetadas por dois eventos metamórficos regionais na fácies anfibolito e um terceiro evento retrometamórfico na fácies dos xistos verdes. Esta sucessão depositou-se, inicialmente, em um ambiente oceânico contendo basaltos com assinaturas do tipo N-MORB, que, posteriormente, evoluiu para um ambiente de retro-arco. Neste grupo são conhecidas quatro ocorrências de rochas ricas em alumina (Guavirituba, Pedra Branca, Itaberaba e Pico Pelado), que afloram na forma de pequenas lentes intercaladas entre metabasitos, rochas metavulcanoclásticas, metatufos e metapelitos. A gênese destas rochas está associada à atividade magmática-hidrotermal oceânica em ambiente de retro arco, vinculada à colocação de pequenos corpos de rochas riolíticas e processos mineralizantes em ouro do tipo high-sulfidation. Análises por difração de raios X (DRX) de 15 amostras ricas em alumina, de granulação muito fina, permitiram identificar coríndon, topázio, margarita, rutilo e mica indiferenciada (possivelmente sericita). As associações minerais identificadas possibilitaram reconhecer a atuação de dois eventos de alteração argílica avançada e um terceiro evento de carbonatação ou retrometamórfico nas rochas do Grupo Serra do Itaberaba: o primeiro evento gerou o protolito 1, rico em óxidos de alumínio ± alunita, que, metamorfisadas, produziram litotipos azuis escuros formados por coríndon ± sericita; o segundo caracteriza um evento de silicificação que produziu o protolito 2, composto por topázio + zunyita + alunita ± rutilo ou por andalusita + alunita, correspondendo os seus produtos metamórficos a litotipos de cor marrom e esbranquiçada (ocorrência de Pico Pelado); no evento de carbonatação ou retrometamórfico cristalizou-se margarita a partir da andalusita, cianita ou sillimanita. A soma destes três eventos produziram, durante o metamorfismo ou retrometamorfismo, litotipos de cor marrom, esbranquiçada e heterogênea formados por margarita ou por margarita + sericita ± coríndon (ocorrências Guavirituba e Pedra Branca). A identificação desses litotipos em campo representa valiosa ferramenta em trabalhos de exploração mineral, uma vez que constituem rochas-guias para a localização de depósitos de ouro em sucessões meta-vulcanossedimentares metamofisadas em grau médio.
Publicado
01-06-2014
Seção
não definida