Neotectônica da área do Alto Rio Pardo (SP e MG)

  • Mário Sérgio de Melo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A
  • Dirceu Pagotto Stein Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A
  • Waldir Lopes Ponçano Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A
  • Carlos Alberto Bistrichi Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A

Resumo

A área da bacia do rio Pardo, a montante da barragem da UHE Armando de Salles Oliveira, foi analisada quanto a características indicativas de atividade neotectônica. Tais estudos, efetuados nas escalas 1:250.000 e 1:50.000, objetivaram fornecer subsídios para previsão do risco sísmico e compreensão da geomorfogênese e dinâmica atual. As características analisadas foram: distribuição dos níveis planálticos e feições morfológicas típicas (lineamentos, rupturas de declive, escarpas rochosas, corredeiras, encostas retilíneas, leques aluviais, capturas, densidade e controle estrutural da drenagem, terraços fluviais), estruturas rúpteis (juntas, falhas) e acumulações neocenozóicas (tálus, colúvios, aluviões em planícies e terraços). A área revelou-se muito pobre em evidências de atividade neotectônica. A maioria das feições morfológicas estudadas bem como as acumulações de depósitos não mostraram padrões de distribuição que permitissem interpretações. As estruturas rúpteis, raras e de difícil análise, permitiram interpretar as principais zonas de movimentações neotectônicas quando associadas a evidências de natureza morfológica. A distribuição dos níveis planálticos e os lineamentos, ambos analisados em escala 1:250 000, revelaram-se as características mais significativas. A idade dos aplainamentos indicou atividade tectônica mais pronunciada no Paleógeno e reativações subseqüentes pouco marcadas no relevo. A correlação destas evidências com dados estruturais revelou estruturação cenozóica orientada principalmente a ENEWSW e NW-SE, refletindo propagação, muito amenizada na área, dos eventos tectônicos da faixa costeira do Sudeste do Brasil. Os procedimentos adotados destacaram a conveniência, para áreas de discreta atividade neotectônica, de análise em escala tanto regional (organização geomorfológica) quanto de detalhe (estruturas). A integração dos dados destas duas escalas de abordagem permitiu chegar às interpretações sobre a evolução neotectônica do alto rio Pardo
Publicado
01-12-1993
Seção
não definida