Evolução supérgena do carbonatito de Juquiá (SP)

  • Arnaldo Alcover Neto Universidade de São Paulo; Instituto de Geociências Programa de pós-graduação em Geoquímica e Geotectônica
  • Maria Cristina Motta de Toledo Universidade de São Paulo; Instituto de Geociências Núcleo de Pesquisas em Geoquímica e Geofísica da Litosfera

Resumo

O intemperismo sobre as rochas carbonatíticas do complexo de Juquiá (SP) gerou uma jazida residual de fosfato apatítico com teores médios de 16% em P2O5 A rocha original é um carbonatito do tipo beforsito, que ocorre de maneira contínua, expondo, no atual nível de erosão, uma área de cerca de 2km² de material carbonatítico, o que não é comum nos maciços alcalinos com carbonatitos, onde estas rochas costumam ocorrer apenas como diques e veios. A rocha primária é formada basicamente por dolomita rica em ferro e manganês e apatita (fluoridroxiapatita). Magnetita, barita e flogopita são acessórios, podendo chegar a 5% do volume da rocha. Barita hidrotermal é facilmente encontrada em veios de até 1m de espessura. A apatita primária pode chegar a 50% do volume da rocha original, sendo este o fator responsável pela manutenção das estruturas primárias em grande parte do manto de alteração e ainda pelos altos teores do minério residual. As fácies de alteração provenientes do carbonatito representam um evento de dissolução dos carbonatos, seguido por reciclagem da apatita primária, com produção de apatita secundária. As composições mineralógica e química dos materiais estudados integradas às suas relações morfológicas permitiram considerações sobre o comportamento dinâmico das principais espécies químicas envolvidas, ressaltando: - lixiviação intensa de CO3(2-), Mg2+, H4SiO4, SO4(2-) e K+, - reciclagem no perfil de PO4(3-), Ca2+, Ba2+ e subordinadamente CO3(2-)e - fixação preferencial e lixiviação eventual de Fe3+, Ti4+, Al3+ e Mn4+.
Publicado
01-06-1993
Seção
não definida