Relação relevo-rocha-solo na Península Ulu, Ilha James Ross, Antártica
DOI:
https://doi.org/10.69469/derb.v47.887Palavras-chave:
Relevos tabulares; Compartimentação geomorfológica; Seções geoecológicas; Unidades de paisagem; Relação relevo-rocha-solo; Ambiente antártico semiárido.Resumo
Na Península Ulu (PU), Ilha James Ross (IJR), localizada no Mar de Weddell, lado oriental da Península Antártica, é possível observar uma relação única de relevo-rocha-solo devido à configuração da paisagem, exemplificada por relevos em mesa e superfícies sedimentares erosivas como principais compartimentos geomorfológicos. Para melhor compreender essas relações, este trabalho visa fornecer uma análise integrada das características do relevo, rocha e solo por meio de três transectos do topo ao fundo de vale, explorando desde a topografia, litologia, cobertura pedológica e diferenciações ambientais, até os processos e feições peri, para e progaciais. Desta forma, três unidades de paisagem puderam ser identificadas na Península em questão: Planaltos Basálticos, Escarpas e a Superfície de Erosão. Os Planaltos Basálticos (310 – 380 m a.n.m.) correspondem aos relevos tabulares formados por fluxos hialoclásticos e basálticos de idade Neogênica, associados a deltas alimentados por fluxos de lava misturados com depósitos subaquáticos, que atualmente configuram as formas de relevo em mesa ou cone de escória da PU; predominam os processos periglaciais, como por exemplo, o congelamento/degelo, crioturbação, rastejo e segregação de partículas, aplainando as formas de relevo por crioplanação e nivação, com a formação de solos com padrões classificados como Criossolos com características Esqueléticas e Áridas. As Escarpas (200 – 310 m a.n.m.) são sustentadas por coberturas deltaicas e camadas frontais do Grupo Vulcânico da Ilha James Ross, do Neógeno, e configuram penhascos cujas vertentes são dominadas por processos paraglaciais como, por exemplo, movimentos gravitacionais de massa e solifluxão, apresentando encostas recobertas por cascalho, lóbulos de solifluxão e depósitos de tálus; na base das escarpas, lagos proglaciais são alimentados por morainas com núcleos de gelo, campos de neve e geleiras, e rochas e sedimentos dispostos nas encostas geram Criossolos descontinuamente, com características coluviais. Finalmente, a Superfície de Erosão (abaixo de 200 m a.n.m.) é sustentada por sedimentos marinhos cretáceos compostos principalmente por leitos de argilito e arenito de diversas formações geológicas, formando um glacis de interflúvios suaves a ondulados com gradientes de declive variados e quebras/mudanças de declive convexas e côncavas, que alternam com vales em forma de U e V; nesta unidade predominam processos paraglaciais, ou seja, movimentos gravitacionais de massa e solifluxão, com a formação de planícies fluviais de rios entrelaçados e Criossolos com características Arênicas e Coluviais. Além disso, a camada ativa e o permafrost estão espalhados por toda a UP, mas por vezes podem ser descontínuos, principalmente na unidade de paisagem da superfície de erosão. O trabalho mostrou que as informações geológicas, geomorfológicas e pedológicas da IJR e da PU podem ser compreendidas pelos princípios adotados na abordagem metodológica, que envolvem a Teoria Geral de Sistemas e a Geoecologia da Paisagem, incluindo a produção de perfis bidimensionais e a compartimentação do relevo.
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